A culpada é
a Vista. Não, isso não
constitui a verdade, o culpado é
o Ouvido. Mentira! A verdadeira infracção
é a escassez de discernimento, a abundância de estupidez e a fraqueza que povoam o Coração. Na sua Aldeia, a Vista, o Ouvido e o Coração acordaram
agitados. Ignotos da real origem da sua
precariedade social e humana, apontavam a culpa um ao outro até que,
finalmente, se desentenderam.
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
Arte contemporânea movimenta Maputo!
No
Primeiro de Agosto do ano em curso, a capital moçambicana, Maputo, movida pelo
Muvart, deixou de ser uma cidade pacata “perdida” na África Austral e
movimentou-se. A partir da referida efeméride até o fim do mês, os seus
citadinos começaram a encontrar satisfação para o seu ego – a arte
contemporânea.
Para o
poder político nacional, semelhante aos outros dias desprovidos de uma
visibilidade especial no calendário nacional, o Primeiro de Agosto continua a
ser um dia amorfo e sem significado cativo. Entretanto, considerar o mesmo
perante os artistas e amantes das artes não parece reunir algum consenso.
Humor: Riam-se, mas aprendam!
No
quotidiano, além de lamentarem a sua penosa condição social, clamam
pelo prometido futuro melhor. No entanto, enquanto com o passar do tempo não
se operarem melhores (e necessárias) transformações, outros cidadãos aproveitam-se da referida penúria para se
entreterem e, invariavelmente, transmitirem
alguma educação. Eles chamam-se moçambicanos...
Numa das recentes edições do programa Improriso – realizado no país
por um conjunto de jovens actores e humoristas – uma das figuras que, além do
aspecto cómico dos assuntos que discute em palco, denunciou alguma preocupação assinalável no aspecto da educação e construção social dos seus
admiradores e fãs e, por extensão, de todos os moçambicanos, foi Mário Mabjaia.
Tenho medo das coisas que sinto!
No outro dia acordei com
vontades estranhas nas entranhas da minha existência: Ouvir a música do
silêncio. Farejar o odor da maresia. Encenar uma possível história de um amor
impossível no marulho. Visitar uma ilha virgem, pura, genuína, deserta e
inexistente. Nadar na indefinição do azul marinho e perder-me na amálgama do
invariável verde das algas murchas. Era estranho, mas eu sentia.
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
Poder do desconhecido
Eu falo com gente
desconhecida
Privo com ela
A amizade desabrocha e
floresce
Tudo é natural
A minha meta é ser amigo do
desconhecido
Eu falo sozinho e provoco o
debate deles
Eles maldizem-me mas
sentem-se instigados a falar porque
As minhas loucuras, os meus
devaneios e as minhas utopias se impõem
Criam-lhes cócegas na língua
Lançado IX Prémio Literário Valdeck Almeida de Jesus
Ode aos fracos!
Os fracos não conseguem identificar
Os seus pontos fracos.
Atacam a uma periferia
Largamente anónima que só
Lhes ajuda a fecundar a sua
vulnerabilidade
Em resultado disso,
Estão condenados a morrer
Sem, no mínimo, farejar o odor da gloria
in Colecção Recados a Um Amigo, obra que não existe.
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